Showtime

Dança + teatro + circo + rock ‘n’ roll = Showtime. Quem acha que já viu de tudo ligado ao hibridismo resultante das artes circences com o balé e o teatro tradicional, é porque ainda não assistiu “Showtime”, espetáculo da Cia Sorriso Com Arte, montado de forma colaborativa entre a diretora artística Karine Pissutti e elenco.

Bailarinos, com figurino em couro preto brilhante, desafiam a gravidade e os limites do corpo em acrobacias aéreas feitas em tecidos vermelhos, liras, trapézios e até correntes, número ainda inédito no Brasil. O clown, interagindo com o público, se encarrega de dar leveza a um espetáculo de personalidade forte.

Personalidade essa evidenciada por um figurino que deixa aparente os movimentos e não a fantasia em si. Menos volume, porém mais brilho e dramaticidade, com bordados feitos à mão e um cuidado para demonstrar que tudo é pertencente ao mesmo sistema, um organismo vivo movido à arte, à dança e ao rock ‘n’ roll.

A dança, a dramaticidade do preto e o movimento do vermelho carregam energia, pondo fogo onde não há fogo, transmitindo mensagens onde não há palavras. Onde só há guitarras distorcidas embalando uma arte desafiadora e com precisão quase cirúrgica, porém envolvente. Showtime é um para adultos. Não que isso signifique violência, linguagem imprópria, ou não seja recomendado para menores de 18, como no cinema. Significa apenas que deve esquecer tudo que já viu sobre o hibridismo entre dança, teatro e artes circenses, na concepção de mundo encantado que espetáculos do gênero sempre buscam abordar.